terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

26

Está a chover lá fora. Eu estou neste momento a olhar lá para fora. Tenho saudades de tanta coisa. Odeio este tempo e a nostalgia que ele me traz, a sensação de saudade que me apanha quando eu tento fugir dela a correr.
Pus então a música alta para não ter de ouvir a chuva a cair nas pedras da calçada, nem o vento a bater contra as persianas semi-fechadas, nem mesmo a trovoada que eu tanto tenho medo. é demasiado imponente para mim, faz-me sentir ainda mais pequena, e deixa o meu coração ainda mais apertado. Não quero ouvir a chuva, nem o vento, nem a trovoada. Não quero. Não quero cair na tentação de sair porta fora, para me misturar com o temporal lá fora. Não quero cair na tentação de chorar e misturar as minhas lágrimas com as gotas de chuva, não quero dar mais parte fraca. É essa uma das vantagens da chuva, ninguém consegue ver que tu estás a chorar. mas eu saberei sempre o que me está a acontecer, e eu não quero então chorar.
Mas sim. É difícil não chorar quando tenho tanta saudade no coração. Tenho tantas saudades tuas, tu não imaginas. Tenho saudades de chegar e de estar perto de ti. De poder ter finalmente a certeza que tu estavas bem. Até de sair da tua beira eu tenho saudades. Pelo menos nessa altura eu sabia que tudo que tinha passado contigo podia estar a acabar, mas era real. Tenho tantas saudades tuas. Porque tiveste de ir embora quando eu mais precisava de ti? Porque me fizeste isso? Tu sabias o quanto eu gostava de ti. Ou pelo menos eu espero que sim. E agora? agora já nada resta, e eu já não te posso ter de volta.
Tento imensas vezes percorrer os caminhos que tu percorrias, tento estar perto dos sítios onde eu sabia que te podia encontrar, tento olhar para as coisas da mesma maneira que tu olhavas, e recordar as tuas palavras e a tua imagem o mais possível, para nunca as esquecer. Mas custa-me tanto. Porque eu sei que nunca te vou encontrar no final da rua. Sei que por mais casas em que eu entre tu nunca vais lá estar, e isso dá-me uma agonia tão grande, porque eu sei que nunca te vou ter de volta. Mesmo assim, eu sinto a necessidade de repetir todos os teus passos. Porque é que isto tinha que acontecer? Porque te escolheram logo a ti para afastar do meu caminho? Não é justo.
Eu tenho saudades das tuas palavras, das nossas conversas, das tuas mãos sobre as minhas que me davam a certeza que tu estavas bem, tenho saudades do teu sorriso, e do teu brilho nos olhos. Tinhas os olhos mais lindos que alguma vez vi. Sabes? Às vezes tento olhar-me ao espelho, e ver o que sobrou de ti em mim, mas são muitas coisas, pois tu eras demasiado perfeita. Era impossível eu reter os teus traços em mim.
Nunca te poderei ter de volta, pois o mundo assim não o permite, e o destino se decidir ser generoso com a minha vida demorará a conseguir ter-te de novo diante os meus olhos, mas sabes? O amor está na alma, e a alma não morre. Apesar de tudo eu sei que vou sempre recordar-te com saudade, mas com um sorriso no rosto também. Foste muito importante na minha vida, e é impossível esquecer-te.

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