sexta-feira, 7 de maio de 2010

seven

Hoje é dia sete. Todos os dias me lembro que o dia sete existiu na minha vida, mas hoje não me lembrei. Acho que dia após dia, a memória vai ficando cada vez mais liberta daquele peso. Mas eu admito que não quero, não quero que tu te esvaias da minha memória, não quero esquecer-te nem me quero esquecer que já não te tenho. Não quero, porque pensar em ti e pensar no dia sete fazem-me estar de pés assentes no chão, mas ao mesmo tempo contigo a meu lado mesmo isso sendo impossível. Não quero porque eu ainda não consigo aceitar que te tenha perdido assim do dia para a noite, com algo tão perpétuo como é a morte. Sim, já passou o tempo suficiente para eu conseguir escrever a palavra morte, porque nunca ninguém me ouve dizer que tu morreste, mas sim dizer que tu partiste. Apenas consigo caracterizar a razão da tua ausência com eufemismos, pois a realidade ainda continua a ser demasiado dura para mim, apesar de se tornar vaga.
Ainda ontem peguei na tua foto. E é impossível não chorar ao olhar para o teu rosto, ao ver o teu sorriso, que está naquele papel impresso. É quase intantânea a maneira como ler simples palavras e olhar para a tua foto, me fazem chorar. E eu não sei porque choro, pois estou consciente que não me adianta de nada chorar, sei que por muito que chore tu não voltas, mas mesmo assim choro. Choro talvez porque sou fraca, porque tenho medo de me esquecer de ti, porque tenho medo que não te orgulhes de mim. Se calhar choro por saudades. Acho que tu sim. Tenho a certeza que, tu sim, me fizeste perceber o sentido da palavra saudade. Uma das palavras que eu mais prezo faz-me lembrar de ti, tem a tua imagem. Saudade. E esta é daquelas saudades que ninguém mata. A única coisa que morre, é o interior onde ela habita. E eu sinto que as saudades me tiram, a cada dia que passa a parte que sobrou de mim depois de tu teres partido.
Eu dava o mundo para te ter de volta, mas sei que isso não é possível. Então, eu dou o mundo para não perder a memória que tenho de ti. Para nunca esquecer o dia sete. Para não esquecer o dia em que tu partiste e o quanto eu sofri por ti, por não te ter mais comigo. Pois acho que mereces isso, mereces que eu me lembre de ti todos os dias, e me recorde com uma profunda saudade aquilo que tu um dia me deste, e tudo aquilo que fizeste de mim. Quem diria.. já se passaram três meses.


I carry the things that remind of you, in loving memory of the one that was so true.
You were as kind as you could be and even though you're gone, you still mean the world to me.

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